quinta-feira, 20 de novembro de 2008

We'll be back!
















A Byblos Amoreiras fechou hoje as portas. Este é um projecto a que me dediquei, pessoal e profissionalmente, de corpo e alma, durante o último ano. Naturalmente os sentimentos predominantes são a tristeza e a frustração, mas nem por um momento me arrependo de ter embarcado nesta aventura. Aprendi muito. Espero ter ensinado e inspirado alguma coisa. Considero ter feito um bom trabalho, o possivel, dadas as circunstâncias. Gostaria de ter feito mais e melhor.

Para mim, que a conheço por dentro, a situação, embora dramática, não me inspira fatalismos. Acredito sinceramente que a Byblos tem um lugar de destaque no panorama livreiro nacional. Estou plenamente convencido que a Byblos Amoreiras não encerrou definitivamente e que haverá uns quantos empresários com inteligência, visão e coragem suficientes para dar um novo alento a este empreendimento. De facto sei que existe mais do que um interessado.

Não me incomodam as vozes pessimistas e agoirentas. Todos têm o direito de opinar, mas escrever livros é uma coisa, vender livros é outra, muito diferente. Não há qualquer mistério no facto de a Byblos ter durado um ano. Temos uma equipa de profissionais excelentes, onde se incluem livreiros empenhados, dedicados e competentes. Mas, naturalmente, um julgamento sumário, após uma única visita, acarreta uma sentença injusta.

Não conheço nenhuma outra livraria onde clientes, autores e editores disponham do conforto, disponibilidade e atenção que lhes tem sido dedicado na Byblos. E no entanto foi exactamente do meio livreiro que partiram, desde a primeira hora, as atitudes mais críticas. Desde o boicote motivado pelo receio da concorrência, até à simples critica gratuita e infundada. A atitude arrogante e sobranceira de algumas editoras foi obscena. É sobretudo pela mesquinhez de muitas editoras que se justifica o facto de algumas promessas terem ficado por cumprir.

De má fé, intenções duvidosas e pessimismo está o mercado livreiro nacional cheio. Isso apenas reforça o meu alento para voltar a enfrentar o desafio de fazer da Byblos a maior e, acima de tudo, a melhor livraria do país. Lembro-me bem das opiniões sobre a abertura da FNAC em Portugal. Eram igualmente pessimistas e cínicas. E veja-se o que representa, hoje em dia, a FNAC. Atenção, não estou a fazer comparações. São dois conceitos diferentes. A Byblos é, fundamentalmente, uma livraria. A FNAC é uma loja onde, entre muitas outras coisas, se vendem livros. E já pertence ao passado o tempo em que a FNAC contratava livreiros e os tratava com o respeito merecido.


A este propósito tenho que referir a enorme dignidade e profissionalismo, de que fui testemunha, em todo este processo, mas sobretudo hoje, demonstrada pelos funcionários da Byblos. Reafirmo a minha convicção de que a Byblos reabrirá e, portanto, esta excelente equipa dará continuação ao trabalho feito até aqui. Voltaremos para dignificar a profissão de livreiro e satisfazer todos os leitores que sobreponham ao comodismo o prazer e a necessidade de ter um bom serviço e encontrar bons livros.

Eu não saí. E não estou sozinho.

sábado, 15 de novembro de 2008

Fashionably Late















Chegou finalmente às bancas a edição de Novembro da revista Com'Out. Vale a pena correr meia Lisboa para a conseguir encontar, nem que seja pala capa fabulosa.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Jesus ama o seu rebanho. Em especial as cabras e a carneirada acéfala.

Não me surpreende, mas choca-me e revolta-me. Situações como a que é aqui descrita cimentam o meu cinismo e desencanto em relação ao futuro da sociedade portuguesa. Instituições como os Maristas e os Salesianos são dirigidas aos filhos das elites sociais e económicas nacionais.

É bem verdade que nunca esconderam a sua inspiração religiosa. Porém os comportamentos descritos levam-me a comparar estas "escolas" com uma comum madrassa, e o comportamento das "professoras" em questão com o dos mais retorcidos fundamentalistas

Prevejo mais uma fornada de queques, reaccionários e perigosamente bafientos, a herdar os tachos dos papás, daqui a poucos anos. Não me admirava nada que estes senhores se lembrassem, um dias destes, de defender que o criacionismo fosse incluído nos programas lectivos.

Tenho fé (NOT!) que um dia vou conseguir olhar para estas pessoas com frieza e uma boa dose de racionalidade. Por enquanto não consigo. A imagem mental resultante é obscena e violenta.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Livro do dia - O Banquete, de Platão














O Banquete é uma celebração e um louvor a Eros. Nele Platão advoga a busca da beleza supra-sensível, da bondade incondicional e de uma forma superior de comunhão com ser amado. Desenganem-se os que ainda pensam que "amor platónico" significa a não consumação do desejo físico. Muito pelo contrário. O Amor manifesta-se de muitas formas, mas só pode ser usufruido, em toda a sua plenitude, a partir de uma entrega total das duas partes, atingindo assim a completude ideal.



Título: O Banquete
Autor: Platão
Editor: Guimarães Editora
Ano de edição: 1998
EAN: 9789726653165
Preço: 6,93 €

No Principio Era...

Há muito, muito tempo, numa galáxia bem próxima, um grande meteoro desgovernado colidiu com um pequeno planeta. Bang! Numa nuvem de fumo, gases, purpurinas e lantejoulas, o meteoro polvilhou os oceanos com moléculas organicas, a matéria de que a vida é feita.

Se os cientistas estiverem certos, a despeito das sólidas teorias criacionistas, isso faz de todos nós penduras intergalácticos. Ciganos do Espaço. Um planeta repleto de Dorothys perdidas, à procura do caminho para Oz. Significa que somos, afinal, filhos das estrelas, atirados para este enorme calhau redondo, sabe deus porquê e para quê.

Talvez isso explique o encanto que sentimos, nas noites límpidas, ao olhar para o céu. Gostamos de contar as estrela e identificar as constelações, como se fossem famílias. Às tantas são mesmo. Aquela podia ser a avó Lina. E a outra, mesmo ao lado o avô João. Aquelas três devem ser a tia Carolina, o tio Júlio e o meu primo António. A outra, pequena e nervosa, podia ser a minha vizinha, a dona Adelaide e aquela, a dois ou três passos, será o senhor Jacinto do café da esquina.

Há umas quantas que parecem maiores, mais constantes e mais brilhantes do que as restantes. Talvez sejam planetas. Talvez estejam mais próximas. Aquela que parece um pequeno Sol faz-me lembrar o Paulo. A outra, com o o seu brilho irreverente parece o Mário. Há uma, tão bonita, que só pode ser a Edite. Ali estão o Sebastião, a Cristina, a Diana, O Hermínio e o João.

Aquela estrela despenteada e doce é o Nuno. Ao lado há uma estrela com um brilho avermelhado e magnético, que só pode ser o Duarte. Esta outra tem um brilho especial que não sei definir, é o Gabriel. Esta só pode ser a minha irmã Vera. E esta, parece tão perto que quase lhe consigo tocar,... podia ser eu.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

The Origin of Love

When the earth was still flat,
And the clouds made of fire,
And mountains stretched up to the sky,
Sometimes higher,
Folks roamed the earth
Like big rolling kegs.
They had two sets of arms.
They had two sets of legs.
They had two faces peering
Out of one giant head
So they could watch all around them
As they talked; while they read.
And they never knew nothing of love.
It was before the origin of love.

The origin of love
And there were three sexes then,
One that looked like two men
Glued up back to back,
Called the children of the sun.
And similar in shape and girth
Were the children of the earth.
They looked like two girls
Rolled up in one.
And the children of the moon
Were like a fork shoved on a spoon.
They were part sun, part earth
Part daughter, part son.

The origin of love


Now the gods grew quite scared
Of our strength and defiance
And Thor said,
"I'm gonna kill them all
With my hammer,
Like I killed the giants."
And Zeus said, "No,
You better let me
Use my lightening, like scissors,
Like I cut the legs off the whales
And dinosaurs into lizards.
"Then he grabbed up some bolts
And he let out a laugh,
Said, "I'll split them right down the middle.
Gonna cut them right up in half."
And then storm clouds gathered above
Into great balls of fire
And then fire shot down
From the sky in bolts
Like shining blades
Of a knife.
And it ripped
Right through the flesh
Of the children of the sun
And the moon
And the earth.

And some Indian god
Sewed the wound up into a hole,
Pulled it round to our belly
To remind us of the price we pay.
And Osiris and the gods of the Nile
Gathered up a big storm
To blow a hurricane,
To scatter us away,
In a flood of wind and rain,
And a sea of tidal waves,
To wash us all away,
And if we don't behave
They'll cut us down again
And we'll be hopping round on one foot
And looking through one eye.

Last time I saw you
We had just split in two.
You were looking at me.
I was looking at you.
You had a way so familiar,
But I could not recognize,
Cause you had blood on your face;
I had blood in my eyes.
But I could swear by your expression
That the pain down in your soul
Was the same as the one down in mine.
That's the pain,
Cuts a straight line
Down through the heart;
We called it love.
So we wrapped our arms around each other,
Trying to shove ourselves back together.
We were making love,
Making love.I
t was a cold dark evening,
Such a long time ago,
When by the mighty hand of Jove,
It was the sad story
How we became
Lonely two-legged creatures,
It's the story of
The origin of love.

That's the origin of love.

Stephen Trask e John Cameron Mitchell