terça-feira, 11 de novembro de 2008

No Principio Era...

Há muito, muito tempo, numa galáxia bem próxima, um grande meteoro desgovernado colidiu com um pequeno planeta. Bang! Numa nuvem de fumo, gases, purpurinas e lantejoulas, o meteoro polvilhou os oceanos com moléculas organicas, a matéria de que a vida é feita.

Se os cientistas estiverem certos, a despeito das sólidas teorias criacionistas, isso faz de todos nós penduras intergalácticos. Ciganos do Espaço. Um planeta repleto de Dorothys perdidas, à procura do caminho para Oz. Significa que somos, afinal, filhos das estrelas, atirados para este enorme calhau redondo, sabe deus porquê e para quê.

Talvez isso explique o encanto que sentimos, nas noites límpidas, ao olhar para o céu. Gostamos de contar as estrela e identificar as constelações, como se fossem famílias. Às tantas são mesmo. Aquela podia ser a avó Lina. E a outra, mesmo ao lado o avô João. Aquelas três devem ser a tia Carolina, o tio Júlio e o meu primo António. A outra, pequena e nervosa, podia ser a minha vizinha, a dona Adelaide e aquela, a dois ou três passos, será o senhor Jacinto do café da esquina.

Há umas quantas que parecem maiores, mais constantes e mais brilhantes do que as restantes. Talvez sejam planetas. Talvez estejam mais próximas. Aquela que parece um pequeno Sol faz-me lembrar o Paulo. A outra, com o o seu brilho irreverente parece o Mário. Há uma, tão bonita, que só pode ser a Edite. Ali estão o Sebastião, a Cristina, a Diana, O Hermínio e o João.

Aquela estrela despenteada e doce é o Nuno. Ao lado há uma estrela com um brilho avermelhado e magnético, que só pode ser o Duarte. Esta outra tem um brilho especial que não sei definir, é o Gabriel. Esta só pode ser a minha irmã Vera. E esta, parece tão perto que quase lhe consigo tocar,... podia ser eu.

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